No último degrau da escadaseu passo ficou pelo meio.A tira soltou da sandália,você me mostrou com o dedo.Sentei no degrau mais de baixo,pus seu calcanhar no joelho.Você segurou meu ombro,deixando o cabelo no meu.No bolso eu trazia um cordãodo embrulho dos pães de domingo.Você desenrola a ponta,eu passo por dentro do vinco.Seu tornozelo faz cócega,o laço escorrega no riso.Você diz: aperta mais um,depois vê se anda comigo.Dá dois passos, vira de lado,deixa eu ver como ficou.O cordão segurou a sandália,seu balanço me levantou.Dá mais um, que o chão está liso,meu ombro continua aqui.Você marca o caminho no piso,eu aprendo o caminho em você.A dona do andar da esquinadesceu trazendo uma muda.Você abre espaço na escada,eu pego o vasinho e ajudo.Ela diz que o manjericãogosta de claridade miúda.Você passa os dedos nas folhas,me encosta o perfume na nuca.O laço termina sobrando,você dobra a ponta pra dentro.Na praça eu seguro seu braço,você vai mudando de tempo.Dá dois passos, vira de lado,deixa eu ver como ficou.O cordão segurou a sandália,seu balanço me levantou.Dá mais um, que o chão está liso,meu ombro continua aqui.Você marca o caminho no piso,eu aprendo o caminho em você.Na fila da balsa vocême pisa de leve na ponta.Eu dou um passinho pra trás;você vem e a dança se apronta.