A manga rolou da sacola,parou na madeira da entrada.Você veio atrás, de cabelopreso com a pressa da estrada.Eu tinha passado o café,deixado a janela encostada.Seu braço encontrou minha nuca;a fruta ficou onde estava.Fazia três semanas inteirasque as folgas caíam trocadas.Eu vinha, você já saía,um beijo no meio da escada.Agora a manhã tem espaço,você larga a bolsa na sala.Eu puxo a cadeira pra perto,seu joelho responde à chamada.Deixa a manga na soleira,vem provar deste café.Tem um risco de sol na madeira,tem seu pé procurando meu pé.Deixa a rua passar lá fora,ponha a xícara perto da minha.A manhã tem um gosto de mangae uma gota de sol na cozinha.Você morde a ponta da fruta,um fio dourado no pulso.Eu pego um pedaço de pano,você me oferece o segundo.A balsa sai depois das nove,a Rita guardou nosso quarto.Você faz um nó na sacola,eu fico um instante abraçado.Deixa a manga na soleira,vem provar deste café.Tem um risco de sol na madeira,tem seu pé procurando meu pé.Deixa a rua passar lá fora,ponha a xícara perto da minha.A manhã tem um gosto de mangae uma gota de sol na cozinha.A casca descansa no prato.Seu riso acendeu a cozinha.Você põe a mão na minha nuca,eu beijo a gotinha que tinha.