Tiramos os dois pares juntos,deixamos debaixo da folha.A areia cedeu no meu passo,você me tomou pela dobrada manga, depois pela mão,depois se soltou bem na horaem que a água chegou fria e mansaà curva pequena da sola.Você recolheu a barra da saia,prendeu com um nó de um só lado.Eu dobrei a perna da calça,fiz um rolo um pouco mais largo.Você consertou minha dobra,eu dei um passinho de lado.Na água chegaram primeiroas sombras dos nossos abraços.Até o tornozelo, amor,até onde a areia ficar.Você desenha uma roda,eu deixo a roda me levar.Uma onda passa no meio,outra vem por baixo de nós.Você me chama baixinho,eu chego mais perto da voz.A Rita chamou lá de cima:tem fruta madura na horta.Você levantou dois dedos,eu fiz uma volta mais curta.O sol se desfez em pedrinhasno fundo da água que muda.Você trouxe uma na conchada mão; eu beijei sua nuca.No degrau você me ofereceo pano que estava no ombro.Eu seco um dos seus tornozelos,você me oferece o outro.Até o tornozelo, amor,até onde a areia ficar.Você desenha uma roda,eu deixo a roda me levar.Uma onda passa no meio,outra vem por baixo de nós.Você me chama baixinho,eu chego mais perto da voz.Seu pé cabe dentro da marcaque o meu acabou de deixar.